quarta-feira, 12 de março de 2014

Ansiedade Calma

Sabe, hoje gostaria de escrever algo diferente daquilo que estou acostumada a escrever, que são meus poemas com toque romântico, com aquela beleza apaixonada que sempre acabo escrevendo.
Mas não sei como me expressar de outra forma, sempre acabo expondo meus pensamentos profundos, termino por colocar em palavras aquilo que está apenas dentro de mim. Não sei se isso é bom ou ruim, apenas sei que me alivia, e depois quando leio novamente, me arrependo de tudo que escrevi, não por ter sentido ou imaginado, mas por ter me exposto, por me tornar evidente diante de todos, me tornando assim desabrigada sentimentalmente.
Hoje vejo meu tempo se acabando, e sinto uma ânsia de viver cada coisa, como se de repente fosse passar e eu não pudesse apreciar os momentos.
Sinto vontade de colocar em prática, materializar, fazer real tudo o que imagino, como se em um instante fosse perder a oportunidade de fazê-lo. É como se soubesse que o vento irá soprar e que não poderei aproveitar o seu frescor naquela ocasião.
É a tal ansiedade, que como me disse um amigo, se for muita, consome. Então, disse ele, se faz necessário procurar ter uma "ansiedade calma". Para que a ansiedade não absorva por completo toda essa magia de pensamentos, desejos e sentimentos, que borbulham contidos em mim.
Eu, essa pessoa tão forasteira no mundo, um estereótipo, tentando ir na direção da correnteza e fazendo sempre tudo ao contrário, sem querer, me expondo de formas incorretas, de maneiras que eu mesma não gostaria de ser notada. Sempre reclusa em mim mesma, quando gostaria de me apresentar ao mundo, não o faço como deveria, e concedo impressões a meu respeito, que são verdadeiramente errôneas, apenas um modelo estereotipado e banal, daquilo que não sou eu.
E quem sou eu? Sou essa pessoa que vê através dos meus olhos, que está interiorizada nesse corpo, que tudo contempla, que tudo analisa, que busca informações do lado de fora e tenta entender o que ocorre dentro de mim, atras dessas janelas que são meus olhos. Essa sou eu verdadeiramente, esse ser que vê o mundo sob o olhar que é só meu.
Infelizmente, esse ser eu interno, é complicado, pois não sei me exteriorizar da forma como sou realmente, e isso me causa uma grande frustração, devido ao fato de não conseguir me mostrar verdadeiramente, e me enxergarem de forma deturpada. Minha jornada parece ainda ser longa no que diz respeito a evoluir nesse âmbito.
Acredito que algo está errado, errado em mim, algo precisa ser mudado, melhorado, moldado, até o momento em que meus olhos que apenas vêem, também possam mostrar a beleza e verdade daquilo que procuro ser.
As vezes penso que deveria me encarcerar, viver para mim somente, dentro de mim e dentro de casa, em uma clausura, pois sempre meto os pés pelas mãos, e estou ficando cansada de buscar e não encontrar alguém com quem dividir e compartilhar meus anseios, alguém que possa me conhecer com a autenticidade que mais ninguém conhece.

(texto não terminado - em breve concluirei)
Por Sara Franco Barreto - 12/03/2014 - 20:16h

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